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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Retrato de uma crise

A Seleção entrou em campo mais uma vez, contra a gloriosa Bósnia(!!!), na Suíça(!!!!!!!!!!!!). 2 a 1, Brasil ganhou. Nunca vi um resultado tão mentiroso. Aí diz o Galvão, "mas o Brasil teve posse de bola igual ao Barcelona". Se posse de bola ganhasse jogo, os gandulas eram campeões do mundo. Muitas discussões e questionamentos sobre o Mano Menezes, que eu acho que não tem condição de um cargo desse tamanho. Mas no Brasil ninguém tem, e os que já tiveram condição já foram técnicos da seleção e querem o Ricardo Teixeira pelas costas, além de estarem a anos-luz da qualidade que tinham quando chegaram à seleção (Vanderlei e Felipão). Mas isso é papo pra um artigo inteiro, vamos falar do jogo.

O time que entrou em campo: Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Sandro, Hernanes, Fernandinho e Ronaldinho; Neymar e Leandro Damião. Assim, com todo o respeito, joga esse meio do campo inteiro no lixo!!!!! Se sobrar alguém, sobra o Hernanes. A seleção tem plenas condições de ter um esquema tático definido, e com ofensividade, como tanto dizem. Mas ofensividade não é ter 2 segundos-volantes, um peso-morto e 2 atacantes, com um volante cintura dura e um buraco no meio; cobertura falha nas laterais, etc. Mas aí entra na famosa questão: "Então leva quem?". Juro, não é possível que ele veja no Ronaldinho e no Fernandinho o que não vê no Alex, do Corinthians, e no Anderson. É fácil de ver. O equilíbrio de um time passa pela ocupação de espaços, mas por jogadores que saibam fazer cada coisa. Nenhum time com acúmulo de função dá certo. E daí o Brasil entrou em campo com os 11 que eu escalei lá em cima. Hernanes recuado, Fernandinho como meia, Ronaldinho como peso-morto. E foi aquele jogo ridículo. Pra que ter 67% de posse quando as finalizações da Bósnia foram muito mais perigosas? E uma seleção que erra quase 50 passes num jogo não merece passar da primeira fase da Copa do Mundo. A Copa tá há 2 anos e a seleção não tem nem um esboço de time. Preocupante. Sabe por que a Holanda e a Alemanha são as favoritas da Euro e pra Copa até agora? Porque em 2006 começou o trabalho de renovação, mas direito. Jogadores a fim, mas treinados com profissionalismo, etc, etc. E aqui a gente tem o que? Calendário um em cima do outro, chega, faz um coletivo e joga, só joga e treina na Europa. A seleção virou uma modelo, só desfila por aí. Não tem mais o mínimo resquício de esporte. Pra mim, virou circo. Os jogadores moram na Europa, dão uma esticadinha, fazem um bico na seleção e foda-se. Não é assim que funciona.

A seleção treinando e jogando no Brasil, os jogadores estariam próximos da pressão, teriam uma identificação, e a coisa fluiria. Ou vocês acham que o Zico, o Romário, o Ronaldo, eram menos ídolos porque tavam lá fora? Não. A cabeça era outra. O quadro hoje é vergonhoso. Além de popstars, os jogadores (e isso é um problema crônico do futebol brasileiro) não tem o mínimo de técnica necessária, o jogar de cabeça em pé, o bom senso que deveriam ter. Erram passes de meio metro e não sabem voltar pra marcar. Não sabem a hora de driblar, chutar ou cruzar. E ninguém faz nada e não fará, o Ricardo Teixeira não tem concorrente na CBF, além de agora criar outra cobra (Andrés Sanches) pra fazer a sucessão. E estamos aí, entregues à sacanagem. Em vez de 8 estádios para a Copa, 12. O maior estádio do mundo só receberá a seleção se ela chegar à final. O Brasil tinha que jogar todos os jogos no Maracanã e foda-se. Você que a gente prefere o quê? Politicagem e o Brasil campeão no Amazonas um um Maracanã lotado, sufocando, a cara do Brasil? Não vem turista pra ver jogo em Natal, em Brasília. Dentre outras muitas coisas. Mas voltando pra dentro das quatro linhas...

Falha do Julio Cesar. Tá, ok. Mas gostaria de lembrar que goleiro, já dizia o Romário, não é posição, é profissão. O Jefferson tá bem, o Fernando Prass também (e eu levaria os dois), mas o Julio Cesar ainda é o titular e ponto. Eu acho. Nas laterais, sem muita discussão. Se bem que eu não levo o mínimo de fé nos reservas. Adriano, que só tá lá porque tá no Barcelona. Mas também no Brasil, ninguém empolga. Fica difícil. Talvez a opção fosse o Fábio, do Manchester. Na direita, fica difícil. o Fagner não tem maturidade para seleção, Léo Moura é irregular e tá velho, e não tem mais ninguém numa fase digna de convocação. Fica uma lacuna; Na zaga, aí tá tudo bem, não tem o que falar. Talvez o Dedé merecesse ser titular, mas mesmo assim, não tenho críticas sérias a fazer.

Mas aí chega a parte mais importante do time, aquela que define o time bom do time ruim. Aquela que é o cartão de visita do time, e aquela que a gente, hoje, tá mais feia que puta da Praça Mauá. O meio-de-campo. Sandro, Hernanes, Fernandinho e Ronaldinho. De coração, joga todo mundo no lixo, com os reservas, e deixa só o Hernanes. E mesmo assim, não seria necessariamente titular. O Ganso tá recuperando a bola, acho que vale uma convocação. O Ronaldinho não consegue ganhar de um defensor do Nova Iguaçu, tá fora de discussão; E aí vem a dúvida: O Lucas Leiva tá machucado, quem vai ser o volantão, o "serviço sujo" da seleção. E eu te digo: Anderson. Nada de Sandro. Anderson. Não é possível que ele veja um e não veja o outro. Junto a ele, poderia ser o Hernanes, ou naquela posição de terceiro homem do meio. No banco, talvez alguns desses jogadores ficassem. E aí a meia. O Alex tá lá no Corinthians jogando muita bola e ninguém viu. Eu levaria o Juninho, mas ele se aposentou da seleção. Talvez o Oscar fosse uma boa opção também. O Lucas poderia ser opção para meio e ataque. E uma boa opção.

Comando do ataque, temos possibilidades. Eu não gosto do futebol do Robinho, assumo isso. Mas num esquema pronto, sem acúmulo de função e obrigação de ser criativo, coisa que ele não é, o Robinho cairia muito bem na seleção. Neymar é titular e ponto. Anda meio perdido no marketing mas é o cara e acabou. Damião é um bom centroavante, tem futuro e acho que tem que ficar, mas o Fred tá merecendo. O Hulk pode ser uma terceira opção pra centroavante, mas nada além disso. Se o Adriano estivesse a fim, não tinha Fred e nem Hulk, mas, fazer o que... E no fim, um esquema tático.

Com esses jogadores que eu citei, você consegue montar um time de diversas formas: 4-4-2, com 2 volantes e 2 meias, 1 volante e 3 meias, losango, 2 volantes, um meia mais fixo e outro solto, encostando no ataque e caindo pelo lado, etc. 4-3-3 com 2 pontas de ofício ou 2 que voltam, como um 4-5-1. E os mesmos 11 que entram em campo podem variar entre essas formações, porque tem qualidade para tal. Falta só que a CBF trate a seleção como um time de futebol profissional e o técnico da seleção aprenda uma pouco mais sobre futebol. Mas estamos aí, só opinando, e torcendo pelo melhor. Temos 2 anos pela frente. E que todos os Orixás nos protejam até lá!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O findar, o legado (e a nova matemática) do Brasileiro 2011

Essa é a continuação e parte final desse outro post "http://estagiariosdoesporte.blogspot.com/2011/11/o-findar-e-o-legado-do-brasileirao-2011.htmlcolocado há algumas semanas atrás. A resposta quanto a aquele foi muito positiva, o que me incentivou a fazer uma segunda parte, somando-se ao fato que eu já desejava porque não salientei tudo quanto gostaria no anterior. 

A respeito do equilíbrio do campeonato e dos benefícios óbvios que isso representa já falei, não vou dizer de novo que isso é muito bom, que é divertidíssimo, que é maravilhoso, que o futebol encanta e que o campeonato é uma dança maravilhosa com luzes e som equiparado a um espetáculo do Cirque de Soleil, que aliás aceito convite de cortesia se almas generosas quiserem ofertar. Enfim, não quero mais falar disso, pretendo falar é de MATEMÁTICA.

Bom, aí começa uma imprudência e incoerência sem tamanho, não por causa da Matemática, por causa desse tal de Higor mesmo. Quem me conhece sabe que sei somar e diminuir como ninguém, só que quando começaram a colocar inequação o problema começou e o desastre mandou aquele "tamo chegando". Tá aí até hoje comigo. Mesmo assim somar e diminuir é comigo mesmo, nunca deixo de pegar o troco certo na condução. Enfim, essa é uma frustração minha. Hoje sinto falta de saber fazer umas continhas maneiras, tirar aquela onda com os meus alunos que sabem matemática e não sabem história. Imagina, "Hey, eu sou professor de História mas sei matemática, e você?" Os estudiosos iam tremer, ia ganhar uma fama instantânea com um número enorme de alunos (2 ou 3) que preferem estudar a estar no Facebook. 

Deixando o delírio de lado, explico porque vou "falar" de Matemática. É o seguinte, algum indivíduo qualquer estava na pracinha de bobeira e começou a pensar "e se a gente fizer uma permutação nessa tabela do brasileiro de forma que os clássicos sejam os jogos finais, como vai ficar?". O cara então foi pra prática. Pensou nas variáveis, permutou tudo e resolveu o problema. A CBF tava de transeunte passando por ali, viu o sujeito escrevendo uma nova tabela seguindo esse padrão num papel de guardanapo, gostou e pediu emprestado. 

Olha, não foi bem assim que a nossa nova tabela surgiu, mas bem que poderia ter sido. Colocar os jogos importantes na reta final era algo tão evidente que mesmo um adolescente brincando de análise combinatória teria feito isso como exercício pra estudar pra uma prova. Vovó já dizia "antes tarde do que nunca", a CBF que não tem vovó nunca tinha ouvido o ditado e ficou sem jeito por ter demorado tanto pra mudar, eles achavam que o "nunca" valia mais que "antes tarde". A culpa não é da CBF, é ausência de vó que faz isso, não apontem o dedo pra pobre entidade. Bem, de todo modo, alguém que tem vó um dia lembrou do ditado e decidiu prestar socorro a maior responsável pelo andamento do futebol nacional, e, por fim, aconteceu o que todo mundo já esperava. O campeonato brasileiro passou por uma permutação, e recebeu como resultado uma nova tabela. Os clássicos passariam a ter lugar no final dos turnos.  

O X da questão foi resolvido e o campeonato deste ano não passou por aqueles problemas de torcida pedindo pra entregar, que é, convenhamos, a coisa mais normal do mundo. Melhor que um outro qualquer ganhe do que o seu adversário que é seu vizinho e buzina no seu ouvido. A zuação do futebol é gostosa, mas ninguém quer ser caçoado sempre, sobretudo quando o que está em jogo é o rival levar um título de expressão, que talvez você mesmo não comemore há anos ou decênios.

Enfim, a nova matemática do Brasileirão é boa, fica como um bom legado e serve pra provar que a gente é muito mais esperto que a CBF uma vez que já sabíamos há muito tempo que era melhor os clássicos ao final. Creio que esse foi um dos motivos pra fortalecer esse modelo de competição de pontos corridos que hoje assumo gostar. Superei o mata-mata, ficou no passado. Antes era um fantasma na memória que vinha atormentar, agora não, vivo esquecido dele e ciente de que o presente do campeonato é mais interessante. 

A primeira mudança matemática, pontos corridos, data de anos atrás. Agora a nova matemática conta com a permutação que dá certo. Jogos finais tem que ser entre rivais. Está aí mais um aspecto positivo de 2011 que vai pra vida. 

Antes de ir embora deixo duas coisas claras. Primeiro, não tenho nada contra quem não tem vovó, você não é sujeito pior por isso, fique tranquilo. Mas caso queira tem muita senhora legal por aí, adota uma de coração que já é bem divertido e você vai poder ouvir não só "antes tarde do que nunca" como também outras frases típicas como "quem mistura com porco farelo come", "antes só do que mal acompanhado", "dinheiro na mão é vendaval", "as más amizades corrompem os bons costumes" e muito mais. Segundo, se você não se assustou com a historinha de um carinha que tava de bobeira na pracinha e decidiu brincar de permutar e fazer probleminhas matemáticos, olha rapaz, tu me diz onde tu mora porque tenho poucos alunos hoje em dia que se divertem estudando, quero dar aula em colégio da tua região. 

E só pra fechar com algo minimamente relacionado ao texto: Viva aos clássicos na reta final!